A visão dos cães.

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Quando se pensa em visão canina, logo vem a dúvida se eles enxergam em cores ou em preto e branco, mas a maneira como o cão enxerga não se reduz somente a conhecer essa resposta.

Nós humanos, sempre temos curiosidade em conhecer a forma como os demais animais enxergam por causa da importância que esse sentido tem em nossa forma de perceber o mundo e a nós mesmos.

A consciência que um cão tem dele mesmo não se baseia em sua imagem, mas principalmente em seu cheiro (olfato). Os cães percebem o mundo com uma hierarquia de importância dos sentidos diferente da nossa. Baseiam-se principalmente nos sentidos do olfato (1), posteriormente pela audição (2) e em menor grau pela visão (3). Dessa forma ao olhar-se num espelho e ver a imagem refletida, são incapazes de se reconhecer, pois nela não há seu cheiro.

A retina cobre o fundo da parte interior do globo ocular, ela contém cones e bastonetes, que são dois tipos de células sensíveis à luz. Os cones proporcionam a percepção da luz e visão detalhada, enquanto os bastonetes detectam os movimentos e a visão na penumbra.

Os cães têm retinas com predominância de bastonetes, que permitem terem melhor visão noturna que os humanos e têm uma visão orientada para o movimento. Eles não enxergam na escuridão total, mas precisam de cerca de 1/4 da luz que os humanos precisam para enxergarem a noite. Apesar de não distinguirem bem as cores com sua visão noturna, enxergam em preto e branco. Herança dos ancestrais que caçavam dependendo da luz da lua e das estrelas e que usavam os uivos, que ainda podem ser ouvidos principalmente nas noites claras.

Eles têm somente um décimo da concentração de cones dos humanos e apesar de verem cores, os cães não às enxergam como nós. Eles apresentam apenas dois tipos funcionais de cones ou células da retina responsáveis pela visão em cores. Portanto sua visão é tricromática (três variações de cores). Enquanto os humanos possuem três tipos de cones, o verde, o vermelho e o azul. Um dos cones do cão é responsável pela cor violeta e corresponde ao cone azul nos humanos. O outro é semelhante ao cone vermelho para humanos e percebe o tom amarelo-esverdeado.

Os cones verdes não estão presentes, o que os faz confundir as cores vermelhas e verdes como no tipo de daltonismo chamado de deuteranopia. Portanto os cães percebem os tons de azul como violeta e apresentam dificuldade em distinguir o verde, o amarelo-esverdeado, o amarelo, laranja e o vermelho. Visualizam a cor branca e podem diferenciar diversos tons de cinza, mas têm dificuldade em diferenciar os verdes do cinza.

Os cães usam informações como o cheiro, a textura, o brilho e a posição em substituição as cores. Os objetos de cores quentes como laranja, o vermelho ou até mesmo a cor rosa, não se destacam para um cachorro. Ele visualiza melhor brinquedos azuis, mas se quiser treinar o faro de um cão, use uma bolinha vermelha quando em gramado verde.

São capazes de enxergar em ambientes com pouca luminosidade, pois possuem pigmentos no fundo dos olhos que refletem e amplificam a luz em até 130 vezes mais que os humanos. Apresentam pupilas maiores para maior entrada de luz e retina rica em células para a captação de luminosidade.

Sua capacidade de acomodação visual, ou seja, a adaptação na formação das imagens é inferior à dos humanos. A maioria dos cães é considerada emétropes, ou seja, possuem olhos em que imagens visuais estão em foco claro na retina. Nos indivíduos amétropes, considerados portadores de olhos com visão anormal, há maior predisposição à miopia, que lhes incapacita de enxergar objetos distantes.

No geral, 24% dos cães apresentam miopia, mas ela acomete principalmente algumas raças como Pastores Alemães (53% dos indivíduos), Rottweiler (64% dos indivíduos), Labrador, Schnauzer miniatura e Poodle miniatura. Alguns desses indivíduos apresentam acentuada miopia. Essas alterações ocorrem por haver um comprometimento na habilidade do olho em gerar uma imagem focalizada com precisão, causando defeitos na refração da imagem.

Os cães também podem apresentar astigmatismo e hipermetropia (comum nas raças Retriever do Labrador, Retriever dourado e Cocker Spaniel) e de grau leve no Fila brasileiro. Além do uso de óculos, também podem ser utilizadas lentes intraoculares (LIOs), projetadas especificamente para cães.

Alterações do tamanho e cor dos olhos, sinais de dor ocular (olhos mais fechados ou piscando muito), presença de secreção ocular, lacrimejamento e até mesmo alterações no comportamento como diminuição da locomoção, irritabilidade, colidir com objetos, dificuldades em movimentar-se em ambientes escuros ou sensibilidade excessiva à claridade (fotofobia) podem indicar problemas oculares.

Para diagnosticar problemas oculares em cães, recomenda-se a realização de retinoscopia com luz em faixa. Nesse exame são observados os movimentos do reflexo do fundo do olho e a direção do movimento, que define o estado refrativo normal, patológico ou induzido cirurgicamente nos olhos. Também é recomendável a realização da avaliação da refração ocular nos exames de triagem para seleção de animais em funções específicas, como o na seleção de animais a serem empregados para uso militar, ou cão-guia.

Quando os cães ficam cegos, eles podem ter uma vida feliz se eles estiverem confortáveis em seu ambiente. Para isso o ambiente do animal precisa sofrer ajustes para que ele se sinta seguro. Não deixar objetos não usuais em suas passagens normais e precisam estar amparados por um local que não lhe ofereça riscos, como um quintal cercado. Em alguns casos é até difícil perceber que eles estão cegos.

Cães conseguem perceber um objeto em movimento com até 600 metros de distância e perceber detalhes com até 6 metros de distância, enquanto uma pessoa com visão saudável consegue ver a 22 metros de distância. Sua visão para detalhes pode ser estimada como seis vezes menor que a média dos humanos. Como possuem as pupilas muito grandes, dependendo da distância, eles só enxergam com foco o que está no centro da imagem. Todo o resto é visto borrado, ou seja, desfocado.

Além de enxergarem muito bem um objeto à frente de sua cabeça, possuem visão periférica binocular e superior à dos humanos. A visão binocular auxilia a saltar cobrir, capturar, e muitas outras atividades fundamentais aos predadores. Raças de cães desenvolvidas para caça tiveram sua visão periférica ampliada geneticamente.

Porém, onde a visão de cada olho se sobrepõe, aumenta a percepção de profundidade. A distância entre os olhos dos cães diminui a sobreposição e reduz a visão binocular. Além de ter menor visão binocular que os humanos, os cães também têm menor acuidade visual. Os cães precisam estar a uma distância de pouco mais de 6 metros para vê-lo da mesma forma que um humano veria se estivesse a quase 23 metros.

Espécies que costumam ser presas tendem a ter os olhos posicionados nos lados de sua cabeça, para aumentar o campo de visão e permitir que enxerguem a aproximação de predadores. Espécies predadoras, como humanos e cães, têm os olhos posicionados perto um do outro. Enquanto os olhos humanos são posicionados em linha reta, os olhos dos cães, dependendo da raça, posicionam-se em ângulo de 20 graus. Este ângulo aumenta o campo de visão e a visão periférica do cão.

Por terem olhos com uma sobreposição em torno de 100 graus apresentam uma amplitude de visão superior (em algumas raças pode chegar a 270 graus). A nossa é de aproximadamente 180 graus e possui sobreposição do campo de visão de cada olho num ângulo de 140 graus. A maior amplitude visual varia conforme a posição dos olhos, que muda conforme a raça.

A percepção de profundidade dos cães é sempre melhor quando eles olham à frente, mas é bloqueada pelo focinho em certos ângulos. Portanto, percebem objetos fora do foco principal com maior facilidade, principalmente se estiverem em movimento. É como se o objeto em deslocamento saltasse de um fundo parado.

Distorções também ocorrem na visualização de objetos a menos de 33 centímetros dos olhos, tornando a imagem embaçada. Para essas distâncias os cães utilizam seus outros sentidos, para auxiliar na “investigação”.

Programas de TV estão adaptados à percepção humana de 60 quadros por segundo, formando uma imagem linear. Os cães possuem a capacidade de enxergar de 70 a 80 quadros por segundo, portanto é como se a TV mostrasse imagens de slides trocados muito rapidamente. Como os cães não possuem uma boa acomodação visual, eles ficam somente interessados no movimento gerado pela troca das imagens.

 

Saiba mais:

Retinoscopia em cães de trabalho militar: Correlação entre ametropias e alterações comportamentais – Gustavo Helms
Vetweb Oftalmologia Veterinária
Retinoscopia com luz em faixa em cães fácicos, afácicos e pseudofácicos
L.A.L. Mobricci; J.J.T. Ranzani; P.V.M. Steagall; A.C.L. Rodrigues; L.R. Carvalho; C.V.S. Brandão
Canine Vision
New Study Shows That Dogs Use Color Vision After All
How Dogs See the World
Vision in dogsPaul E. Miller, DVM, and Christopher J. Murphy DVM, PhD
The World Through The Dogs Eyes
SLATTER, D. H. Fundamento de Oftalmologia Veterinária. 3 ed. São Paulo: Roca, 2005. 686p.
GELLAT, K. N. Manual de Oftalmologia Veterinária. São Paulo: Manole, 2003. 594p.

Artigo retirado em sua íntegra do site: http://netvet.com.br/post/A-visao-dos-caes,263

Regina Ripamonti (Autor).
Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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Por que os cachorros comem grama.

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É bastante comum cães comerem grama, e há diversas explicações para este tipo de comportamento. Primeiramente, canídeos selvagens (lobos e raposas, por exemplo) comem qualquer tipo de animal que consigam pegar. Uma vez que comem muitos herbívoros (animais que comem plantas), eles acabam comendo muita grama e plantas que ficam nos intestinos destes animais. Além disso, sabe-se que eles comem algumas frutas silvestres e vegetais. Por conta disso, cães comem grama porque, na verdade, faz parte de sua dieta natural.

Muitas vezes, cães vomitam logo após comer grama. Eles comem para conseguir vomitar? Ou eles vomitam por terem comido a grama? É um mistério, mas aparentemente cães costumam comer grama quando há algo errado com seu estômago.

Outro motivo: eles gostam. Alguns cães parecem preferir certos tipos de grama ou vegetais pelos quais eles vão procurar e então comer.

Por que os cachorros comem grama

  1. Fome

Os cães consideram a grama um alimento e podem comer grama principalmente quando estão com fome. Como falamos acima, os cães primitivos estavam acostumados a comer grama, pois eles comiam animais herbívoros e acabavam comendo a grama/vegetal que estava no estômago desses animais.

2. Dieta deficitária

O cão pode estar sentindo falta de algum nutriente e pode tentar compensar isso ingerindo outros tipos de comida. A dieta pode estar desequilibrada, faltando, por exemplo, vitaminas e minerais. Ingerir grama faz com que o corpo produza vitaminas A, E e K. Tenha certeza que seu cão se alimenta bem, se você dá alimentação natural, fale com o nutricionista. Se você dá ração, procure fornecer uma ração super premium.

3. Gastrite crônica e dor de estômago

Há uma crença popular de que o cachorro come grama quando está com gastrite ou enjoado, para provocar o próprio vômito. Isso não é comprovado ainda. A clorofila presente nas plantas age como um antibacteriano em feridas e podem combater infecções na gengiva, garganta etc.

4. Ansiedade

Comer grama pode ser um sinal de estresse e ansiedade. Ele pode estar comendo grama por puro tédio. Outros sinais de tédio e ansiedade são: latir muito, automutilação, roer móveis, etc. Você pode melhorar isso se der mais atenção ao seu cão e passear mais com ele pra que ele gaste energia.

5. Instinto de caça

Existe estudos que falam que o cachorro come grama para sentir a presença da presa naquela região, como se ele pudesse se preparar para um ataque. É totalmente instintivo.

Você não precisa se preocupar tanto quando seu cachorro come grama, porém, como citamos acima, isso pode ser um sinal de outros problemas. Confira se está tudo certo com seu cachorro e se mesmo assim ele continuar comendo grama, não é um motivo pra grandes preocupações, a não ser, claro, que alguém tenha colocado veneno pra ratos no jardim. Muitos condomínios costumam fazer isso, portanto, muito cuidado.

Fonte: Tudo sobre Cachorros

Foto: Denis Castro, dog Freddy, pitbull mascote #dogwalkercastrozn #petcentercastro

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Erros mais comuns na hora de educar um cão de estimação.

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  • Não use a palavra “não” toda hora.
  • Evite dar “bronca” nos momentos em que o cão tiver dificuldades em relacioná-la ao comportamento errado que se quer coibir.

Sem a certeza do motivo, o cão irá apenas se acostumar à “bronca”.

  • Muitas vezes, ao fazer algo errado, o cão está apenas querendo chamar a atenção.

Cair nessa “armadilha” (por exemplo, correr atrás do animal para retirar um objeto de sua boca) reforçará esse comportamento.

  • Usar violência física como punição é um erro grave, que levará o cão a desenvolver distúrbios comportamentais,

como medo excessivo e/ou agressividade. Além disso, depois de estabelecida essa prática,

torna-se remota as possibilidades de reversões futuras no quadro comportamental.

  • Se, no entanto, a correção for inevitável, é imprescindível escolher o momento exato em que deve ocorrer.

A melhor ocasião será durante a “intenção”, antes de o comportamento errado acontecer; ou ainda, quando o comportamento errado está acontecendo, sendo ideal torná-lo desagradável ou sem graça.

Depois de o comportamento errado ter terminado, a correção fica sem sentido.

A melhor estratégia será então tentar provocar a mesma situação novamente para, aí sim, aplicar a correção.

 

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Para quem está pensando em comprar um filhote.

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Se você está pensando em comprar um filhote, lembre-se que ele é uma vida e sua saúde é tão importante quanto sua beleza, portanto, exija ver a chapa e laudo de displasia dos pais do filhote, (note que são duas coisas diferentes, raio-x e laudo). O laudo deve ser “A”, “B” ou no mínimo “C”.

Não aceite desculpas e explicações, e não se deixe intimidar. Se possível evite também laudos emitidos por veterinários que não tenham especialização no assunto ou não estejam devidamente qualificados/autorizados pelo Colégio Brasileiro de Radiografia Veterinária (CBRV). Com isso você reduz sensivelmente as chances de comprar um filhote que venha a desenvolver problemas mais tarde.

Se o criador tiver os laudos dos avós, melhor ainda. Faça a sua parte. Infelizmente todos os anos dezenas de novos tutores se arrependem a um preço muito alto por não terem dado a devida atenção a essa dica, pagando barato por exemplares sem procedência ou no mínimo duvidosa e a conta chega para o animal.

Se você é tutor ou criador de cães, procure ler e entender sobre esse problema que é tão sério, e que se alastra cada vez mais. Lembre-se: Só você pode mudar essa história. Comece tirando a chapa e laudo de displasia dos seus cães, e só cruzando aqueles com “notas” “A”, “B” ou “C”.

Certifique-se de que o veterinário tem especialização e está autorizado a emitir laudo. Senão, peça para que ele envie o raio-x para emissão de laudo oficial pelo CBRV ou profissional especializado.

(…) outra desculpa que é comumente ouvida de criadores  é, “oh…, essa é uma raça com características de conformação coxo-femural diferente, e portanto os resultados de exames do OFA ou PennHip não significam absolutamente nada”, ou ainda “meus cães não tem problema de displasia já que os mesmos podem correr e pular”. Ou isso é pura e simples  ignorância, ou simplesmente uma tentativa de enfiar a sua cabeça no meio da areia. Bulldogs americanos, em comparação com outras raças, podem e apresentam excelentes resultados de exame de displasia, apesar de existirem muitos cães com problemas crônicos de displasia. Dependendo do grau de displasia, o cão simplesmente deve ser ISOLADO do processo de copulação. Displasia é um problema genético fortemente transmissível de geração em geração. Nenhuma raça de grande porte ainda conseguiu eliminar esse problema por completo, mas você pode reduzir dramaticamente o nível de incidência cruzando SOMENTE cães com boa conformação coxo-femural (…)

Retirado do artigo American Bulldog: Correct Gait, escrito por Dr Vito Alu.

Fonte: http://www.blacklab.com.br/clipping588.htm

 

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